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domingo, 29 de novembro de 2015

O dia em que deixei de acreditar em milagres

Um dia, deixei de acreditar em milagres. Não que tenha ficado cética ou cínica demais para acreditar na mágica da vida. Apenas me dei conta de que as coisas são muito mais reais, mais sóbrias. Não que não haja magia por aí e, que vez ou outra ela de fato ocorra. Mas, viver esperando por ela, achando que ela pode estar em qualquer esquina, é algo muito cruel. Na maioria das vezes, os resultados de tal crença são catastróficos. É como estar em um carro em movimento, numa descida e, tirar o pé do freio, esperando que o carro não bata no muro ou que você não se espatife com o choque. Então, o melhor mesmo é saber que o muro existe e se desviar ou as vezes, meter o pé no freio mesmo. Temos muito a perder. E, não há como achar que há tantos milagres assim por aí. Se fosse assim, haveria muitos milionários, ganhadores da mega sena ou talvez, o câncer ou a Aids não existissem.
Portanto, o melhor mesmo é manter os pés na realidade. Não que devamos deixar de acreditar na magia ou na cura para a Aids, mas, devemos trabalhar com sonhos um pouco mais sóbrios e possíveis. Assim, aumentamos as chances deles se realizarem.
Deixemos então, os milagres ao acaso ou guardados nas caixinhas de surpresas boas que existem espalhadas pela vida!
Não é que milagres não aconteçam; só é muito cruel passar a vida esperando por eles. Pois eles são assim, podem acontecer a qualquer hora ou lugar, geralmente, quando menos se espera.

O dia em que o Facebook falou comigo

Num momento de desconcerto, desarranjo, desencontro, eis que me deparo com uma mensagem na rede social que dizia o seguinte: " Abra o primeiro livro que ver na frente na página 45. O que estiver escrito representa sua vida no momento."
Eu como já tinha o costume de abrir os livros aleatoriamente com o intuito mágico/premunitório ou só lúdico mesmo, aceitei a brincadeira.
Eis o que se apresentou...

" O impacto das recordações o pegou desprevenido. Ele não esquecera que aquilo tinha sido a sua primeira estação, a sua primeira chegada a uma cidade nova. Naturalmente ele não se esquecera daquilo. Mas não contara com a possibilidade de voltar para ali e de que tudo seria como se o tempo não tivesse passado."

A mensagem não poderia vir mais a calhar! Têm horas que parece mesmo que o universo está conversando com a gente. Quer dizer, ele conversa sempre, a gente é que as vezes não houve.

domingo, 22 de março de 2015

UMA CABEÇA QUE SE ABRE

Uma cabeça que se abre, que se expande, nunca mais volta ao tamanho inicial. 
Quando se aprende algo, nunca mais se consegue enxergar as coisas como antes, como se fosse uma espécie de lente que conduz o olhar e a leitura de mundo. 
Então tudo se torna tão óbvio, tão parte de você que parece que nunca houve outra realidade, outro modo de enxergar as coisas. Parece que aquela consciência já estava alí, já fazia parte de você e, só estava esperando o momento certo de ser acessada, liberada.

Quando se aprende algo novo, quando um pensamento se refaz, é uma espécie de dejavú, como se aquela cena já tivesse acontecido antes. Você se pergunta se algum dia pensou diferente e duvida que algum dia o fez e, ao olhar para traz, não acredita que aquelas crenças não faziam parte de você antes.

quinta-feira, 26 de fevereiro de 2015

Gaiolas

Os homens se amontoam como se fossem animais engaiolados. Cada um se ajeita como pode, numa espécie de instinto de sobrevivência, cada um inventa seu modo de se encaixar nesse balaio de gatos que só não é pior do que a vida corrida e sofrida de todo dia.
No dia seguinte é a mesma coisa, como macacos pulando de galho em galho, as pessoas vão pulando de barra em barra , tentando se apoiar em alguma coisa, de alguma forma.
E assim, nessa rotina dura vai sobrevivendo quem pode, como pode, se animalizando nessa selva de brita, aço e pedra.

quarta-feira, 4 de fevereiro de 2015

Perguntas

Na ocasião de meu Bat Mitzvá (festa de maioridade religiosa judaica),
eu, que era ainda uma criança,
que ainda não tinha atinado para muita coisa,
que não sabia muito bem o que estava fazendo naquela sinagoga, naquele palco na frente de todas aquelas pessoas,
nem sabia muito bem se queria estar e,
muito menos o significado que aquilo tinha para mim, na minha vida.
Não sabia na verdade de quase nada naquele momento...
E, perdida no meio daquilo tudo,
mas sem obviamente saber quão perdida estava no meio daquilo tudo,
as palavras do rabino ecoaram em meus ouvidos.
Foi como se em meio em todo aquele burburinho,
eu ouvisse algo falar mais alto e ecoar,
tão alto e forte que senti um aperto no peito.
Ele dizia da pergunta...
Que aquela pergunta que fazíamos naquele instante (de se tornar judia, crescer como mulher),
era a primeira de muitas, milhares que viriam dali em diante...

Foi como se ele tivesse aberto a porta e convidado a dúvida a entrar.

Desde então, muitas coisas daquele momento se foram, se resignificaram ou mesmo, perderam o significado,
mas a pergunta...
Ah, esta jamais me abandonou!
E das perguntas, vieram algumas respostas,
mas a mais forte delas é que não há respostas e,
o que se busca mesmo, são as perguntas.
Estas sim nos movem...
E as respostas são parte do caminho e não o ponto de chegada.
E a vida é essa longa estrada em que não se chega nunca.

sábado, 24 de janeiro de 2015

Fantasmas

Certa vez um moço me perguntou se eu conhecia meus fantasmas.
Ele argumentou que estava sempre a encontrar com os seus.
Eu, julgando-o louco, consenti, para não causar conflito.
Anos mais tarde, fui compreender que de uma forma ou de outra,
todos conhecem ou convivem com seus fantasmas.
E, mais cedo ou mais tarde (o quanto antes melhor),
há que se fazer amizade com eles, ou pelo menos fazer as pazes.
Já que eles não vão a lugar algum e que tem tanto a ensinar,
já que eles vão te assombrar de qualquer forma,
então, é melhor sermos amigos.
Devemos entender também, que eles não são exatamente inimigos,
e que uma vez feito isto, nos tornaremos mais fortes.
Compreender os fantasmas é compreender a si mesmo e,
se compreender é parar de fugir.
Não é que aquele moço estava certo?!

Silêncio


...

Porque o silêncio é também ruído.
É tudo o que queria ser dito e não é.
É dor.
A dor do desencontro, de todos os maus entendidos.
De todo o ruído que se põe entre as pessoas e constrói muros que parecem intransponíveis.