Páginas

sábado, 24 de janeiro de 2015

Fantasmas

Certa vez um moço me perguntou se eu conhecia meus fantasmas.
Ele argumentou que estava sempre a encontrar com os seus.
Eu, julgando-o louco, consenti, para não causar conflito.
Anos mais tarde, fui compreender que de uma forma ou de outra,
todos conhecem ou convivem com seus fantasmas.
E, mais cedo ou mais tarde (o quanto antes melhor),
há que se fazer amizade com eles, ou pelo menos fazer as pazes.
Já que eles não vão a lugar algum e que tem tanto a ensinar,
já que eles vão te assombrar de qualquer forma,
então, é melhor sermos amigos.
Devemos entender também, que eles não são exatamente inimigos,
e que uma vez feito isto, nos tornaremos mais fortes.
Compreender os fantasmas é compreender a si mesmo e,
se compreender é parar de fugir.
Não é que aquele moço estava certo?!

Silêncio


...

Porque o silêncio é também ruído.
É tudo o que queria ser dito e não é.
É dor.
A dor do desencontro, de todos os maus entendidos.
De todo o ruído que se põe entre as pessoas e constrói muros que parecem intransponíveis.


Do plantio e outras coisas

O plantio do amor é coisa engraçada, é como plantio de roça mesmo.
A gente vai jogando as sementes, e rega, e aduba, e espera a chuva, o sol...
Espera.
Sem saber tempo.
Só espera.
Enquanto se distrai com a vida.
Daí, estas plantinhas danadas vão florescendo, aonde se menos espera.
E algumas simplesmente não florescem.
Grande parte delas, aliás.
Então você me perguntaria: Porque continua a cultivar tais plantas?
Porque o amor, custa a dar, mas onde ele brota ele reverbera e se multiplica e rende frutos por toda a vida.
Nunca é um investimento certo, matemático.
Mas, de certo é o investimento mais sincero e imprescindível que se pode fazer.
Nunca vi nada gerar frutos tão belos quanto esta danada sementinha do amor.
Você pode pensar: Mas e o prejuízo?
Bem, todo investimento é assim, se ganha e se perde; às vezes, mesmo quando se ganha, se perde, ou mesmo quando se perde, se ganha...
Então, eu diria que o prejuízo vale a pena, não só pelos frutos que se colhe, mas porque este é um investimento que nunca se perde.
Mesmo que não se colha frutos de algumas sementes que se planta, o amor reverbera, para a gente mesmo, para quem planta.
Não existe amor desperdiçado, então.

Porque mesmo quando se perde se ganha.

Da Viagem

Sempre achei que meu lugar era no mundo, em algum outro lugar que não aqui.
Sempre alí.
Algum lugar que não achei ainda, que ainda haveria de visitar.
Descobri que sim, meus lugares são todos que visito,
Que só são especiais pois são de passagem.
E, o mais especial que deixam em mim é o saber especial que meu lar ganha na volta.
Sempre achei que a partida me apetecia...
Mas, o que me apetece mesmo é a volta!
As cores e sabores que minha vida ganha após as jornadas.
E, a consciência de que tenho um lar para voltar.
Não desses de tijolo e cimento, mas desses construídos com amor por todas as pessoas e coisas boas que vivo neste lugar.
Porque bom mesmo é ter um cantinho e um colo pra que voltar.

E isto, cá não me falta!

domingo, 11 de janeiro de 2015

O Tempo

Durante muito tempo,
briguei com o tempo
Não entendia seu ritmo e,
nunca sabia dançar conforme a música
Na maioria das vezes
queria que ele se apressasse
Nunca me conformava com a lentidão com que as coisas aconteciam e,
estava sempre com pressa,
atropelando tudo e todos,
tropeçando nos meus próprios pés.
Pouco a pouco, fui entendendo o tempo,
fomos nos reconciliando
Primeiro, ele me concedeu uma dança e, com alguns tropeços, bailamos
depois mais uma e mais outra...
até nos tornarmos parceiros inseparáveis.
E só então compreendi que o tempo sempre esteve ao meu lado.
Quando enfim ajustamos nossos compassos,
pude perceber o quanto só ele pode resolver certas coisas.
E o tempo, como bom amigo que é,
me aproximou de coisas e pessoas e
me afastou de outras
E assim, seguimos bailando...
Ele sempre me mostrando,
no tempo certo,
qual a música e o ritmo certo de se dançar.