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terça-feira, 24 de junho de 2014

Mais um suicídio

Parece coisa boba: perder-se de si mesmo.
Há muito que venho me sentindo perdida, como se estivesse num mergulho profundo, num silêncio profundo... Nadando para o fundo, sem saber exatamente aonde é o fundo ou para onde estou indo.
Estou só nadando no silêncio da imensidão azul.
E quem me vê, não diz. Ao contrário, dizem que pareço saber exatamente para onde estou indo
e o que quero.
É que às vezes minha alma sai de mim...
Na verdade, há muito que não estou aqui, como se um piloto automático habitasse meu corpo.
Aliás, poucas vezes em minha vida me senti presente.
Fujo do presente.
Mas meu corpo fica.
Como se me ausentasse da vida, por covardia.
E viver, viver mesmo, de verdade, não é para covardes!
Porém, nasci covarde. Uma alma dividida entre a covardia e a coragem.
Com frequência, a covardia tem vencido...
Ela às vezes se traveste de coragem, mas não passa de suicídio.
E, cada vez que pulo do precipício morro um pouco.

sexta-feira, 7 de março de 2014

Limites

Ela não conhecia fronteiras.
Limites para ela, não existiam.
Achava aquilo tudo um saco!
Dizia que limite era para os fracos,
coisa de gente careta, covarde.
Achava que eles não serviam para nada...
Um dia, ela mesma viu que tinha limites
e que limites eram também contornos
que delineavam seu corpo, sua mente
e dava forma às coisas.
E então, ela compreendeu que ser, é ter limites.
E, pensou que limites não eram assim tão ruins, que eles tinha sua beleza.
Gostou!
Gostou do que descobriu.
Gostou do limite.
Mesmo que ele significasse que ela não podia e nem mais queria ir a alguns lugares.
E ela, que costumava se jogar de todos os precipícios,
começou a enxergar fronteiras,
algumas das quais queria atravessar,
outras queria simplesmente voltar, virar as costas e ir embora.
Descobriu que fronteiras também podiam significar ficar com um pé lá e outro cá.
Porque fronteiras não significam barreiras,
significam apenas que se pode escolher aonde se quer ir,
e que os limites, fazem bem ao coração

Uma Casinha nas Montanhas

Para minha querida Wal Sabino, que me acolheu sempre com muito carinho...


Ela ia sempre para uma casinha no alto da montanha,
lá aonde o vento faz a curva,
lá aonde bate um ventinho bom... uma brisa leve...
Gostava tanto de ir para lá,
que um dia foi de mala e cuia.
E gostou tanto,
que pensou que queria que ali fosse sua casa para sempre!
Fosse lá quanto tempo durasse o sempre...

segunda-feira, 24 de fevereiro de 2014

O vento

O vento costumava lhe desagradar.
Dizia que lhe bagunçava os cabelos.
Um dia, uma brisa leve soprou
e levantou-lhe as saias, sutilmente, e ela sorriu...
Parou de brigar com o vento!
Agora ela deixava o vento fazer o que bem entendesse, bagunçar-lhe os cabelos, levantar poeira, levar e trazer quem ele quisesse...
O vento tem lá suas artimanhas, suas surpresas, graciosidade...
O danado tem mesmo vontade própria
e não se foge dele.
Então, é melhor mesmo sermos amigos.
Às vezes ele sopra uma prosa boa em meus ouvidos...

domingo, 23 de fevereiro de 2014

Nem só de ócio vive a criatividade

O ócio sim, ajuda muito a criar.
Que coisa boa é deitar na rede e ver poesia nas nuvens, nas árvores, numa borboleta que pousa na ponta do nariz...
Mas eu produzo mesmo quando estou muito ocupada
Minha cabeça está a mil, um milhão de coisas acontecendo...
Daí, parece que a inspiração vem como uma luz e faz-se silêncio...
E, só se ouve aquelas palavras por um instante...
Todo o burburinho fica de pano de fundo.
Acho que preciso mesmo é do caos para criar.
Ele me movimenta, me perturba me provoca
E colocar isso pra fora é uma necessidade
E escrever é vomitar isso tudo que borbulha ma mente, na alma, no coração.
É encontrar a paz, nem que seja por alguns instantes.