Parece coisa boba: perder-se de si mesmo.
Há muito que venho me sentindo perdida, como se estivesse num mergulho profundo, num silêncio profundo... Nadando para o fundo, sem saber exatamente aonde é o fundo ou para onde estou indo.
Estou só nadando no silêncio da imensidão azul.
E quem me vê, não diz. Ao contrário, dizem que pareço saber exatamente para onde estou indo
e o que quero.
É que às vezes minha alma sai de mim...
Na verdade, há muito que não estou aqui, como se um piloto automático habitasse meu corpo.
Aliás, poucas vezes em minha vida me senti presente.
Fujo do presente.
Mas meu corpo fica.
Como se me ausentasse da vida, por covardia.
E viver, viver mesmo, de verdade, não é para covardes!
Porém, nasci covarde. Uma alma dividida entre a covardia e a coragem.
Com frequência, a covardia tem vencido...
Ela às vezes se traveste de coragem, mas não passa de suicídio.
E, cada vez que pulo do precipício morro um pouco.