Uma vez me peguei pensando como seria bom se pudessemos tirar férias de nós mesmos... Imagine: "Ah! Acho que hoje vou deixar meu 'eu' em casa e sair pra relaxar, sem pensar no que deveria fazer, no que é certo ou errado pra mim, ou mesmo, sem ter que ouvir minha própria voz contando aquela história mais uma vez."
Séria realmente muito bom! Ser a gente mesmo as vezes cansa... É por isso que de vez enquando eu viajava com os meus amigos e deixava que eles decidissem tudo, aonde íamos, o que íamos fazer, comer ou sentir. Era bom! Eu não tinha que me preocupar, nem desagradar nínguem! Meu 'eu' definitivamente, não estava alí. Era como estar em outro plano, leve como uma pluma. Mas, o problema é que algo sempre faltava, se não era 'eu' quem estava alí, eram os outros, os desejos dos outros. E, me peguei fazendo isso tantas vezes que meu 'eu' e meus desejos adormeceram, num sono profundo que nem mesmo um belo príncipe encantado poderia despertar.
Foi então que decidi que precisava abrir a CAIXA DE PANDORA. Mas, vocês sabem que essa caixa, uma vez aberta liberará sentimentos nunca antes imaginados e suas consequências, serão igualmente surpreendentes...
Assim foi feito! A caixa fora aberta. Descobri coisas de fato surpreendentes, coisas que queria nunca ter descoberto, coisas boas, coisas ruins e coisas que mudaram minha vida, minhas escolhas. E foi então que percebi, que meu 'eu' tinha despertado. Ele veio de mansinho me impondo um desejo ou outro, um sentimento aqui outro alí e, de repente tinha se apossado do meu corpo. E eu que só queria tirar férias do meu 'eu', agora teria que carregá-lo pra todo lado, com tudo mais que o acompanha. Os sentimentos ruins, angustiantes que vem como uma pontada te atordoar no meio de uma tarde bonita de outono, ou os sentimentos de insegurança, que vêm te inquerir sobre o seu desejo e o desejo do outro. Mas a abertura da caixa também trouxe a tona sentimentos bons, que há muito não sentia. Agora eu me lembrava do prazer simples de escutar uma música que EU gosto e me sentir bem por isso, ou decidir o que comer ou o que fazer, coisas minhas.
A CAIXA DE PANDORA mostrou minha identidade. Em meio a tantos medos e sentimentos inquientantes, descobri uma coisa mágica: quem eu sou. E, por mais que isso seja angustiante às vezes e que pese como só o peso da responsabilidade sobre sua própria vida pode pesar, é algo imensamente mais importante e prazeroso do que simplesmente tirar férias de sí mesmo para sempre.
Nenhum comentário:
Postar um comentário