Certa vez conheci um homem que achava que era invisível. E, ele certamente o era. Ele falava e não era ouvido, ele pedia e não era atendido, ele entrava nos lugares e não era visto. Então, ao se olhar no espelho, o homem invisível mirava e não via ninguém. Assim, ele concluiu muito coerentemente que era invisível! Passou a andar por aí com ares de invisibilidade, já não falava com ninguém, não pedia nada, não queria nada. De alguma forma aquele homem tinha descoberto a fórmula da invisibilidade. Aquilo que os cientistas passaram tanto tempo pesquisando, experimentando, aquilo que a ficção passou tanto tempo forjando, para ele era real. Ele não sabia bem porquê, nem como havia ficado invisível, ele só sabia que não era visto e não se via.
No entanto, em um certo dia o homem invisível foi assaltado. Ele, durante muito tempo ficou sem entender o que tinha acontecido com sua invisibilidade que não havia funcionado naquele momento que ele tanto precisava!
Depois desse dia o homem invisível ficou confuso. Será que ele estava perdendo seus poderes?!
Foi então que ele percebeu que não era afinal invisível, que o que o tornava invisível eram as pessoas com as quais ele convivia que eram incapazes de exergá-lo e, até mesmo ele próprio que de tanto não ser visto tinha se apagado para sí mesmo.
Chocado com sua descoberta, o homem, agora não mais invisível, se olhou no espelho e passou, pouco a pouco a enxergar seus dedos, seu rosto, seu corpo, suas vontades. Deu um grito!!! Mas, esse grito não foi de dor, nem de espanto, foi um grito de quem enfim ouvia sua voz e a cuspia para fora com uma força quase que involuntária, incontrolável que veio de dentro tão forte que ele não consiguiu controlar e se rebentou na forma de grito.
Desse dia em diante o homem agora não mais invisível, decidiu que nunca mais usaria a fórmula da invisibilidade , trancou-a então em um cofre, a sete chaves e nunca mais deixou de se enxergar e de lembrar que por mais que existessem pessoas para as quais ele era invisível, isso não significava que ele o era.
E, toda vez que isso acontecia com ele, que ele era "invisibilizado", ele sorria por dentro, dava uma boa olhada para suas duas mãos e se lembrava de tudo aquilo que o fazia visível, seus valores, seus sentimentos, sua força. E, saia por aí a caminhar e a trombar nas pessoas e a sorrir porque ele sabia que as vezes, por mais que se fizesse, ninguém o veria, mas, ele também sabia que agora que ele próprio jamais deixaria de se enxergar, haveria sempre horas, locais e pessoas para as quais ele seria visível e ponto.
srta fux!!
ResponderExcluirulalá... seu texto não é invisível... eu o vi!!!
que bom conhecer seu blog!
grande beijo